Maria Fernanda é esposa do arremessador Jô Matumoto, um dos nossos guerreiros que tentam a sorte no beisebol americano. Encontrei a Maria Fernanda no MSN, e o que era para ser apenas uma conversa, de tão interessante, acabou se tornando uma entrevista. Bem, não foi realmente uma entrevista, por causa do tom informal da conversa, então vamos dizer que foi um bate-papo informativo.
Ela é a agente de todos os brasileiros que jogam beisebol nos Estados Unidos, e foi esse o rumo da conversa: inofrmações sobre os brasileiros que estão lá.
RevistaK.com: Oi Fernanda! Boa noite!
Fernanda: E aí, Henrique!
RevistaK.com: Soube que o Jô foi titular na estréia pelo Syracuse Chiefs, na Triple-A. Como foi? Ele vai ser abridor mesmo?
Fernanda: Eu me assustei quando vi que ele cedeu 3 corridas em 3 innings, mas todos os sites estão falando que ele foi bem e o técnico também gostou da atuação. Não sei se ele será (abridor), mas eles (Chiefs) estão sem abridores.
RevistaK.com: Ele prefere ser abridor, certo?
Fernanda: Isso, ele se concentra melhor. Henrique, tem uns errinhos no blog da Revista K. Quando você quiser falar de algum brasileiro aqui nos EUA, pode perguntar ou confirmar a informação comigo, já que todos são meus clientes.
RevistaK.com: Obrigado. Quais são os erros?
Fernanda: O Bruno Doi já saiu dos EUA há bastante tempo, desde o ano passado ele está aqui no Brasil, e o Fábio Murakami está na “Rookie League”, junto com o Gilmar, e o Heitor Correa está agora na “class-A”. Os três estão em afiliados do Phillies. E especialmente, você NUNCA pode esquecer do Heitor Correa, que é um dos melhores prospectos deles. Ele arremessa a 95 mph (152 km/h) com 17 anos.
RevistaK.com: Obrigado pelas informações. Fernanda, qual é a diferença entre o nível “Rookie” e as ligas Dominicana (DSL) e Venezuelana (VSL)? Não são todas no mesmo nível?
Fernanda: Não, 50% dos jogadores que vão para a DSL não saem de lá e a VSL ainda está muito no começo. È como uma pirâmide, e a VSL e a DSL são a base dela, depois vem a GCL (Rookie). Na verdade, os americanos e a maioria dos bons jogadores latinos nem vão para lá, começam direto na “Rookie”.
RevistaK.com: Fernanda, dos “garotos” que são seus clientes, qual você acha que tem mais chance de chegar a Major League? Excetuando o Jô, que já está quase lá. O Heitor Correa mesmo?
Fernanda: Com certeza, o Heitor. Mas o Paulo também é muito bom, só que o Heitor é “animal”. Ele é muito novo e talentoso: com 16 anos, já arremessava a 95 mph!!! O Paulo é bom, mas ele está na idade, está numa média, entendeu?
RevistaK.com: Entendi. O Heitor é jovem ainda, tem mais tempo, certo?
Fernanda: Exatamente. O Heitor é um “animal” para a idade, e já está na A. Esse é o tipo de arremessador que vai ser igual ao Jesse Litch (Blue Jays), vai chegar na Major com 21 anos.
RevistaK.com: Tomara que sim. Mais alguém além do Heitor tem boas chances de chegar na MLB? O Paulo?
Fernanda: Paulo Orlando e Anderson (Gomes). O Paulo fez atletismo, ele é muito rápido, mas precisa trabalhar os strikeouts, ele está levando muitos. Ele ainda não amadureceu a visão, vai para o swing em qualquer bola, e essa é a diferença entre um rebatedor de “high-A” para AA.
RevistaK.com: Certo... isso é essencial para um bom rebatedor, principalmente os de leadoff (1º na escalação, o mais rápido do time).
Fernanda: Para ser promovido, só melhorando isso. O Anderson é um cara que eu acho que vai longe também, ele tem força, tem tudo para ser um “Big Papi” (David Ortiz, do Red Sox).
RevistaK.com: Mas eu tenho a impressão de que falta alguma coisa para ele ainda. Mais regularidade, talvez?
Fernanda: Eu sei o que é. Não é dentro de campo, é fora dele. O Anderson é relaxado demais, tranquilo, não é ambicioso.
RevistaK.com: O Gilmar Pereira tem alguma chance? Ele pareceu ter futuro, pelo que mostrou no PAN, e ainda é novo.
Fernanda: É, tem 20 anos. Ele tem chance também, começou esse ano na República Dominicana, mas já foi chamado para os Estados Unidos. Ele tem uma coisa que eu gosto muito: sabe aquele olhar bruto, aquela agressividade nos olhos? Então, isso lá no montinho é muito bom, impressiona.
RevistaK.com: É o chamado “fogo nos olhos”, certo?
Fernanda: Isso, mas ele é docíssimo, não faz mal a uma mosca.
RevistaK.com: Mas fisicamente, ele tem porte de arremessador?
Fernanda: Tem, é um gigante, alto e forte como todos os outro.
RevistaK.com: Obrigado por tudo, Fernanda. Boa sorte para você e para os seus clientes. Nós da Revista K estamos torcendo muito por vocês!
Fernanda: De nada, Henrique. O prazer é meu!
Henrique Gonçalves está torcendo muito por todos os brasileiros que estão batalhando para chegar à Major League.
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