Por: Felipe Mazorca

Esta semana conversei com exclusividade com o jogador brasileiro Paulo Orlando, de 22 anos. Orlando joga no time do Winston-Salem Warthogs, equipe classe A da MiLB (Minor League Baseball), afiliada ao Chicago White Sox.

O campista central, que se destacou em sua primeira temporada nos Estados Unidos, é uma das maiores promessas do beisebol brasileiro para os próximos anos e vem sendo cultivado aos poucos pelos treinadores da franquia de Illinois.

Orlando nos confidenciou que não recebe ajuda de nenhuma entidade do beisebol nacional e espera um dia ver o nosso campeonato mais forte e evoluído. Ele também demonstrou muita humildade ao nos contar sobre seu início de carreira vitorioso, assim como sua rápida escalada no exterior.

Se os americanos deixarem, ele ainda quer fazer história com a camisa do Chicago White Sox.

Confira a primeira parte da entrevista!

RevistaK.com: Paulo, para começar a nossa conversa, como e por que você começou a jogar beisebol?

Paulo Orlando: Olá. É um prazer falar com fãs de beisebol no Brasil. Bem, eu comecei a jogar com 11 anos de idade. Minha mãe trabalhava numa clínica médica e o dono desta clínica era presidente de um clube de beisebol. Ele me convidou e eu fui jogar.


RevistaK.com: Como foi sua carreira no Brasil? Em que times você jogou?

Paulo Orlando: Meu primeiro clube foi o Nikkey Santo Amaro e conseguimos o 2º lugar no Campeonato Brasileiro Juvenil. Depois eu fui jogar no Suzano, onde também conquistamos o 2º lugar no mesmo campeonato. Finalmente, fui jogar no ECEG Guarulhos, onde consegui ser campeão brasileiro.


RevistaK.com: E seleções brasileiras. Você chegou a participar das seleções brasileiras, de base e adulta?

Paulo Orlando: Sim. Em 2005 eu joguei o Campeonato Sul-americano, que foi disputado no Brasil. Fomos campeões.


RevistaK.com: Vamos falar da sua carreira no exterior. Como você conseguiu entrar para as ligas menores do beisebol profissional norte-americano?

Paulo Orlando: Tudo aconteceu em 2005. Eu fiz um teste com o olheiro Jorge Oquendo, que veio ao Brasil procurar jovens talentos e fui aprovado. Na época eu treinava com o cubano Orlando Santana, que também era olheiro.


RevistaK.com: Como é jogar na MiLB? O que você mais aprendeu e ainda aprende por aí?

Paulo Orlando: Aqui é uma grande escola de beisebol. Todo dia tem uma situação nova para aprender. A cada dia aprendo mais as mecânicas de rebater, lançar e defender.


RevistaK.com: Como foi a temporada passada jogando pelo Kannapolis Intimidators?

Paulo Orlando: Por ser meu primeiro ano foi bom. Eu tenho muito que aprender ainda, mas fui o jogador que mais jogou em todo o time.


RevistaK.com: Nesta temporada você foi chamado para jogar pelo Winston-Salem Warthdogs, uma equipe classe A da MiLB. Você ficou surpreso ou já esperava por isso? O que esse passo significa para a sua carreira?

Paulo Orlando: Eu até esperava sim, pelo bom ano que tive em Kannapolis. E eu sempre penso em chegar às categorias de cima. É uma questão de adaptação do seu jogo. Em cada uma é preciso jogar de maneira diferente.


RevistaK.com: Qual foi a maior dificuldade que você teve para se adaptar ao estilo de vida norte-americano?

Paulo Orlando: A maior dificuldade continua sendo a língua. O longo tempo fora do Brasil também dificulta.


RevistaK.com: Você tem um planejamento para chegar às grandes ligas ou simplesmente encara o futuro como ele vier? Seu objetivo é chegar ao elenco dos White Sox?

Paulo Orlando: Claro que sim! Apesar de nunca um brasileiro ter chegado às grandes ligas, eu tenho esse sonho. E espero concretizá-lo através do Chicago White Sox.

(Continua na próxima edição)

Felipe Mazorca é jornalista e torcedor do Boston Red Sox.

John M. Setzler Jr.
Paulo Orlando com a camisa dos Warthogs. O brasilieiro ainda sonha em chegar às grandes ligas (e nós torcemos para que isso de fato aconteça).
(02/06/2007)
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Página publicada em 22 de junho de 2007.